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[Excerto] Lusofonia e Interculturalidade. Promessa e Travessia debate a questão lusófona, em três aspetos principais. No atual contexto da globalização, que é uma realidade de cariz eminentemente económico-financeiro, comandada pelas tecnologias da informação, esta obra interroga o sentido das narrativas (literárias e mediáticas, e também das narrativas de histórias de vida) sobre a construção de uma comunidade geocultural transnacional e transcontinental lusófona. Interroga, igualmente, as políticas da língua e da comunicação como combate simbólico pela afirmação de uma comunidade plural, na diversidade de povos e culturas lusófonas. E interroga, ainda, a complexidade do movimento de interpenetração das culturas, o qual, com gradações diversas, que compreendem colonialismo, neocolonialismo e pós-colonialismo, na relação entre povos,...
Poucos anos depois de aparecer, o postal ilustrado tornou-se objeto dessa comunidade sui generis que é a cartofilia. O grupo de colecionadores de cartões com remetente, que começou por ser maioritariamente feminino (Rogan, 2005), seria descrito por Tom Phillips, num tom caricatural, como um “amigável mundo cheio de personagens ora maiores ora menores do que a vida” (Phillips, 2000, p. 8). Segundo este investigador norte-americano, juntamente com os vendedores de postais antigos, os colecionadores de postais formariam uma espécie de trupe mafiosa, que juntaria “piratas”, “saltimbancos” e “patifes”, num ambiente de camaradagem contagiosa. O caráter obsessivo da ocupação de colecionar postais é ainda sublinhado por este autor, que assegura não existir nenhuma categoria, por mais obscura que seja, que possa escapar aos gostos id...
O postal ilustrado teve no início do século XX um forte impacto no sistema de correspondência, tendo funcionado inclusive como a atual chamada telefónica (Philips, 2000; Staff, 1966), ou como os mais recentes SMS e o correio eletrónico (Martins & Oliveira, 2011b, p. 3). Numa perspetiva igualmente histórica e estendendo esta leitura a instrumentos mais recentes de comunicação, podemos dizer que o postal é, também, um precursor dos blogues e dos eCards, sendo um antecessor da própria comunicação multimédia (Correia, 2008; Correia & Martins 2011; Martins & Correia, 2014). Tecnologia de presença, no dizer de Esther Milne (2010), o postal ilustrado é, com efeito, um dos recursos que permitem sustentar que a relação entre os velhos e os novos sistemas de comunicação é mais complexa do que se perceberá pela atual teoria dos média.
Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT)
De novo o postal ilustrado, sempre omnipresente e de elevado potencial icónico. Artefacto de modernidade inalienável perante tudo aquilo que aspire a um rasgo de universalidade ou algo que contenha uma promessa de eternidade, como o foi para o caso da Exposição do Mundo Português na Lisboa de 1940. Daí que, e a partir dele, relevamos a expressão da arquitetura e do urbanismo como temas privilegiados que nos proporcionam uma conjugação espacio-temporal de ordem comunicativa única. Dir-se-ia mesmo, para quem reflita sobre a exposição, e venha donde vier, sobretudo, a partir da natureza e do alcance do seu edificado, vertido na ilustração postal, que nos defrontamos com uma espécie de alinhamento dos “astros”, tal é a cosmologia metafórica que nos ocorre citar por evocação ao imaginário das viagens espaciais que conhecemos da f...
Temos hoje a sensação de que já não vivemos numa sociedade afortunada e providencialista. A vertigem, a crise, o risco e o fim são palavras que utilizamos para caraterizar a atmosfera da época que vivemos. Por um lado, a perceção do risco e do perigo mantém-nos em constante sobressalto e desassossego. Por outro lado, a sociedade vive em permanente flirt com a morte. Dessacralizada, laica e mundana, a sociedade passa a vida a combinar Thanatos e Eros. Temos aqui uma cinética, que nos mobiliza para o presente, nela se manifestando, igualmente, a nossa condição trágica. Penso que podemos dizer, com rigor, que mais do que de uma atmosfera de época, esta cinética constitui o traço próprio da nossa cultura, que vive a sua translação do regime da palavra para o regime da imagem tecnológica. E também podemos acrescentar que essa tra...
(Excerto) O post que inaugurou o blogue Postais Ilustrados, redigido por Madalena Oliveira em janeiro de 2008, tinha o sugestivo título 'Escrever posts sobre postais.' Aproveitando a deixa, poderíamos dizer que no trabalho aqui reunido se tratou de escrever um livro sobre um blogue. Contudo, além da menor expressividade sonora do nosso mote, temos que admitir que entre um blogue e um livro, há ainda uma maior distância do que a que se interpõe entre uma velha missiva de comunicação como o postal ilustrado e um novo meio de interação como o post. A conceção da presente obra foi, por isso, sendo pensada de modo tão contínuo e paulatino como o foi sendo construído o blogue que lhe deu origem: a ideia de republicar um blogue, com o seu funcionamento hipertextual, o seu regime interativo e o seu estatuto tão quotidiano quanto efémero, no fo...
Gil Vicente Vasconcelos de Oliveira, nascido em 1958, é artista plástico, vive e atua na cidade do Recife, Pernambuco, Brasil. Em sua obra, Inimigos, 2005, produziu uma série de 10 desenhos à carvão sobre papel, em grandes dimensões, 200cm x 150cm, nos quais o artista aparece empunhando uma arma em direção a dez personalidades do cenário político internacional. Gil Vicente não manda recados, é ele próprio o autor de cada sentença. As mortes encenadas na obra desse artista plástico brasileiro, para além de representarem ameaças pungentes de termo à vida de figuras políticas de nossa atualidade, encenam um desejo latente de dar um basta às representações de poder ali contidas. As personalidades escolhidas simbolizam uma civilização que tem a violência em seu enredo e que dela faz uso, nas suas mais diversas formas, para a prá...
(Excerto) Se a política pode ser encarada como o campo das escolhas a partir de valores, bem como a luta e o exercício pelo e do poder; se o poder pode assumir múltiplas formas e se a cultura continua a ser um conceito vivo e dinâmico, considera-se fundamental, numa altura em que a crise generalizada tem facilmente servido como álibi para o desinvestimento – político e financeiro – neste setor fundamental para a capacitação e qualificação individual e coletiva, contribuir para uma discussão que, apesar de tudo, tem estado pouco presente na academia e na sociedade civil. O poder de transformação da cultura é inquestionável, mas aspetos como o esbater de fronteiras entre os setores cultural e criativo, ou ainda os fracos níveis de articulação consistente entre os diversos sectores e níveis de decisão política, ou mesmo a pouca e...